(AOS OLHOS DO PAI) - Nossa História

Oi gente. 
Então, muitos de vocês conheceram a nossa história através da visão da mamãe, porém pouquíssimas pessoas sabem dessa história através do papai aqui. Aqui vai a minha versão, não que a dela seja errada, mas são coisas que talvez nem ela saiba que aconteceu.

Depois de respirar fundo, conseguir a coragem pra escrever sobre esse assunto depois de tanto tempo sem tocar nele é difícil, mas acho válido.

Após todo o relato da mamãe sobre a descoberta da primeira gravidez, começa o que poucos ou talvez ninguém saiba: a minha mudança, os meus desafios e a busca da força pra não sucumbir.
Após descobrirmos a gravidez e ouvirmos as batidas do coração de nosso filho, parecia que tudo caminhava perfeitamente. Até o primeiro borrão. Ali eu comecei a me preocupar. 

Naquela noite, encostei minha cabeça sobre a barriga da mamãe e conversei, conversei durante alguns minutos com meu filho e pedi pra que ficasse conosco, pedi pra que não nos deixasse. Ali, devido a algumas coisas, soube que era a minha despedida. Eu não conversava apenas, eu me despedia dele mesmo pedindo para que ficasse. Eu pude dizer o quanto eu o amava, o quanto eu o amo. Chorei, mas tentei manter o pensamento positivo e que alegria foi ao ouvir logo cedo que estava tudo limpo, nenhuma mancha vermelha.
Mas, ainda teria muitas surpresas durante o dia. Estava no trabalho, quando as 12:00 saí para o almoço, e como sempre eu fui para o carro ficar lendo, cheguei ao carro e por volta de 12:05, o telefone toca, quando eu vi ser a Jéssica no outro lado da linha, gelei. Atendi já esperando uma notícia ruim, e ela veio. Jéssica, chorando, me avisando que a mancha já não era mais mancha, era quase uma poça.
Senti como algo esmagando meu peito, onde minha única reação foi correr de volta ao trabalho e falar com meu chefe que estava indo embora buscá-la. Ele me liberou, porém antes fez questão de me acalmar e de acalmar a Jéssica.
Quando eu caminhava pro carro, para encontrar a Jéssica no hospital, eu liguei pra minha mãe e fiz uma súplica: "Mãe, reza pelo seu neto, ele vai precisar." e então fui pro hospital, desnorteado, sem saber muito o que fazer, não estava mais em minhas mãos Não estava mais no meu domínio.
E foram longas horas entre espera, atendimento, espera, ultra (e ali desabei), mais espera e resultado.
Depois de tanta besteira falada pela médica da emergência, eis que a Dra. Luciene nos aparece para nos salvar, e interna a Jéssica para fazer amiu (Aspiração Manual IntraUterina).
Ela ficou internada de 6ª até sábado. Eu não dormi. Aproveitei que ela não estava em casa e chorei, chorei até não sair mais líquido pelos olhos. Passei mais de 24hrs acordado, revezando entre choros e olhadas no celular pra ver se havia mensagem ou ligações da Jéssica. E aí explodi em felicidade quando chegou a mensagem dizendo que ela receberia alta. Corri para buscá-la.

E aí é que começa a maior dificuldade de todas. A Jéssica entrou numa depressão profunda, onde a paciência, a raiva, a força de vontade e a compreensão disputavam o lugar na minha cabeça. Eu não sabia até quando eu iria aguentar. Confesso que foi Deus quem me sustentou, pois eu sentia que estava ficando louco, queria fugir, queria sumir...mas queria estar com a Jéssica.
Era horrível, acordar quase todas as noites com o choro dela. Acordava, mas não deixava ela perceber. Sabia que seria bom pra ela estar um pouco sozinha e chorar. Aquilo cortava meu coração, mas sabia que era preciso. Todas as noites, ela chorava. Todos os dias, discutíamos. Todas as vezes eu me sentia um inútil. Tentava, tentava e não conseguia mudar aquele quadro. Eu via a mulher da minha vida se acabando aos poucos, e aquilo acabava comigo.

Aquilo me transformou. A tristeza que tinha pela perda do meu filho, foi afastada pelo medo de também perder a mulher da minha vida e aí, aí eu não sei o que seria de mim hoje. Lutei, Pedi, Rezei, Implorei a Deus pra que me ajudasse, era meu único pedido. Salve a Jéssica. Foi difícil, foi quase impossível. Cheguei ao meu limite humano e a felicidade em ver ela reagir me deu forças pra continuar. Agradeço a Deus por tudo. Ele me mostrou que está sempre do meu lado. Quem vê a Jéssica hoje, não reconheceria ela ontem. Eu conheci e lutei pra reconhecer. Hoje estamos formando nossa família e tenho certeza que nosso filho, além do que virá por esses meses, estará conosco. E pode ter certeza, que vou lutar sempre por vocês.

Minha vida é a vida de vocês. Meu suor é por vocês. Meu futuro é pra vocês.
Amo vocês infinitamente

E nenhuma palavra é capaz de traduzir esse amor que sinto por vocês

Mauro Vinícius

Um comentário: